Refém em Barcelona

No outro dia fiz um post sobre polícias armados com metralhadoras na minha rua e como isso por um lado me deixava segura, mas por outro, praticamente me garantia que tudo podia acontecer.
A minha rua é a Rambla de Catalunya, a parte de cima das Ramblas, onde há poucas horas houve um atropelamento massivo, confirmado como ataque terrorista.
Há uma grande diferença entre escrever um post e achar que algum dia vai acontecer alguma coisa e, de repente, ver vídeos de pessoas ensanguentadas no chão, como se fosse um cenário de guerra, a uns passos da nossa porta. E pensar em todas as vezes que passámos por ali...
Hoje podia perfeitamente ter sido eu deitada no chão, no meio de uma poça de sangue. Podia ter sido eu encurralada num supermercado, evacuada em histeria da Plaza Catalunha, ou a tentar voltar da praia sem transportes e com medo de me cruzar com a morte pelo caminho.
Tive sorte, estava em casa. 
Tive sorte é quase tudo o que sei neste momento. Sei isso e que Barcelona está um caos, que evacuaram as pessoas das zonas do centro, fecharam os transportes, fecharam bares, esplanadas e comércios, cancelaram todos os eventos da cidade (estamos na semana das festas de Grácia) e pediram para ninguém sair à rua nesta zona. A zona onde eu vivo.  O banco onde hoje vi amanhecer o dia comendo um croissant de chocolate, feliz e tranquila, agora está vazio e ninguém se pode sentar. As ruas estão cortadas e desertas.
Ouço um helicóptero (ou serão mais?), vejo desesperadamente a televisão à espera de notícias, recebo mensagens a perguntar se estou bem e falo com várias pessoas sobre o que está a acontecer.  Será que já passou? Será que há mais? Onde estão os terroristas? Dizem que há pelo menos um armado, encurralado pela polícia num bar da Boqueria, mas também recebi uma mensagem no telemóvel a dizer que a polícia tinha perdido os terroristas e que podem estar em qualquer lado.
Podem estar em qualquer lado...
Estamos em estado de emergência. Várias vezes pensei que isto ia acontecer, mas agora que se está a passar são tantas sensações ao mesmo tempo, que é difícil explicar... angústia, nervosismo, preocupação, revolta, medo, insegurança, tristeza, choque e, principalmente, impotência.
Hoje sou uma refém na minha própria casa.
Estou há quase 3 horas assim, à espera de entender o que aconteceu e de saber o que vai acontecer.
Não posso sair porque posso levar um tiro, posso ser atropelada ou pode explodir uma bomba. 

E lá vem o helicóptero outra vez...




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