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A mostrar mensagens de Setembro, 2017

Boa noite Espanha, bom dia Catalunha?

Esta pode ser a minha última noite em Espanha. Não porque eu tenha pensado mudar de país, nem pouco mais ou menos, mas porque o senhor Puigdemont, Presidente da Catalunha, tem pensado fazer uma declaração unilateral de independência, amanhã, depois do seu referendum ilegal, desculpem, democrático. Enviou-me, aliás, um “flyer” em preto e branco por correio, para eu não me esquecer de ir votar e para levar 7 pessoas comigo, como se fosse a promoção de Natal lá do ginásio. Mas em vez de receber um desconto na mensalidade, diz que se eu levar 7 pessoas a votar “ganha a democracia”.
Por outro lado, se eu não for votar “eles ganham”. Então é isso: “Democracia” x “Eles”. Uma proposta um quanto ou tanto abstrata para ser a base de um novo país, digo eu, mas eu também nunca abri um país novo. Acho só curioso que uma democracia arranque com ameaças de morte pintadas nas paredes de uma escola secundária, contra a Presidente da Câmara da localidade, que decidiu acatar a lei da constituição e nã…

A vida não é justa

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Imaginem acordar a som de uma serra elétrica todos os dias, por volta das 8 da manhã. Essa tem sido a minha vida nos últimos dois meses, há exceção de Sábados e Domingos, abençoado seja o Senhor! Quando espetaram na porta do edifício a autorização da Câmara para obras no andar de baixo, durante uma mão cheia de meses, eu subestimei a situação. O ano passado, passei outra mão cheia de meses com obras no apartamento ao lado, parede com parede, ruídos ensurdecedores, o teto a tremer que nem gelatina, a sensação de que a parede do quarto me ia cair em cima, e quantidades monstruosas de pó a passar para a minha sala por aberturas que eu não sabia que existiam. Entrava em casa e só faltava aparecer D. Sebastião a cavalo, tal era o nevoeiro. Mesmo assim sobrevivi. Daí pensar que as obras no andar debaixo não poderiam, jamais, ser piores do que as do ano passado na casa do vizinho do lado. Mas afinal podiam. Escrevo este post à beira da esquizofrenia total, no princípio de um ataque de pâni…

Vamos à feira?

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A Mercé é uma festarola bem gira para celebrar a Santa de Barcelona.
Fazem concertos ao ar livre por toda a cidade, as pessoas animam-se a dançar “Sardanas”, que é uma coisa que eu já desisti de tentar entender. Basicamente, consiste em conjugar dois passos para a direita com dois passos para esquerda, sempre ao mesmo ritmo lento quase parado, num círculo formado por várias pessoas com os braços no ar. E olhem que isto é uma descrição com emoção!Outra coisa para lá de gira, é que na Mercé temos sempre feriado, mesmo se cair Domingo, como aconteceu este ano, e portanto Segunda-feira ninguém foi trabalhar. O que, se juntarmos ao clima ameno que ainda se faz sentir, é toda uma delícia.Mas se há coisa com que eu vibro de verdade é a feira de atrações que montam na Barceloneta, ao estilo da feira de Santa Iria de Faro, onde vivi grandes noites da minha adolescência!A música apimbalhada em volume máximo, as luzes fluorescentes que nos encadeiam a cada olhar, o cheiro a farturas e algodão doc…

Info-excluída

Confesso que não sou apaixonada pelas novas tecnologias. Não dei pulos de felicidade quando os meus pais compraram o nosso primeiro computador lá para casa, e desde que haja um Word e internet no meu portátil, sou uma pessoa feliz. Ando às voltas com os comandos da televisão da casa de Lisboa e não sei ver programas que já passaram, porque na minha casa de Barcelona não tenho disso. Não tenho boxes e só há um comando. E, repito, sou feliz. Fui a última das minhas amigas a entrar no facebook e só por muita insistência de outra amiga, e com o Instagram aconteceu a mesma coisa. Tenho um cartão oferta com 200€ para gastar na Apple, que está há meses a ganhar pó, porque não há absolutamente nada naquela loja que me cative, sem ser um portátil pequenino, bonito e cor de rosa que custa 1.400€. E que se não fosse cor de rosa, provavelmente não me emocionaria. Estou-me pouco marimbando para os lançamentos do iphone, se é X ou se é Y e distingo os carros pela cor. Ainda assim, não deixei de …

Donald a fazer amigos

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Este fim de semana foi extremamente prolífero para a conta do Twitter de Donald Trump, grande impulsionador da política 2.0 #possoescreveroquebemmepaetecer #estoumealixarparavoces  #quempodepodequemnaopodesesacode Como já é altamente popular entre a elite científica, literária e artística, achou por bem fazer mais “amigos” no mundo desportivo. Não lhe bastava com o discurso da Meryl Streep, as entrevistas de Robert De iro, a antipatia de Stephen Hawkins, a oposição de John Legend e Cher, ou o facto de J.K Rowling ter dito que Trump era pior que Voldemort.
São tantas as celebridades que impugnam o senhor do cabelo cor de laranja que poderíamos fazer uma coletânea intitulada “Famosos contra Trump” e, com certeza, seria um best seller.
Mas o fofo não podia dormir descansado enquanto não recebesse um tweet do “rei”, LeBron James, que saltou em defesa de Stephen Curry quando o Sr. Presidente  “desconvidu” os Golden State Warriors, da visita à Casa Branca como campeões da NBA.Assim, Trump f…

À beira de uma guerra cívil?

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Esta manhã saí de casa e... surpresa! Não podia descer a rua. Estava colapsada pelos independentistas e as suas bandeirolas. Ora macacos me mordam, a festa da Mercê é só no Domingo, o dia da Catalunha já passou, o que é que esta gente faz aqui hoje senhores? Tive que desviar pelo Paseo de Grácia e, durante todo o dia, fui ouvindo que as manifestações se alastravam por toda a cidade. É a lenga lenga de sempre, que querem fazer o referendo pela independência e, obviamente, votar que sim. E quem não quer a independência que se lixe e vá dar uma volta, literalmente. Mas para o que é que querem a independência tão desesperada e desalmadamente? Ai isso não sabem, não dizem, não respondem. A meu ver é para que os políticos catalães possam roubar mais e mais a gosto, daí eles serem os principais impulsores do referendum, armados em salvadores da nação. Sim, porque agora não podem roubar sossegados, com a calma e tranquilidade que a boa corrupção requer. Que o diga o ex Presidente da Catalunha, …

"Essa moça 'tá diferente..."

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Cantava assim Chico Buarque, ao ritmo dos anos 70: “essa moça 'tá diferente, já não me conhece mais, está pra lá de pra frente, está me passando para trás, essa moça está decidida a se modernizar...” Hoje estava a passear por Barcelona e lembrei-me desta canção. Arriscando parecer sexagenária, ou/e partidária de Franco, a verdade é que já cá estou há 9 anos e a cidade já não é o que era. Primeiro, temos uma verdadeira avalanche de polícias a patrulhar o centro, o metro e as zonas de maior movimento.  Grandes ruas de comércio estão permanentemente “trancadas” por carrinhas dos “mossos” (polícia catalã), estrategicamente colocadas para evitar que fanáticos de Alá entrem por ali aos ziguezagues (mais vale tarde do que nunca). Não sei bem como me sinto em relação a esta vigilância de alerta vermelho, porque se eles têm que estar ali significa que não estamos seguros, como já não estávamos antes. Essa é a primeira diferença: quando cheguei a Barcelona uma pessoa descia a Rambla preo…

Voltar a casa no Verão

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Às vezes tudo o que precisamos é voltar a casa. Não necessariamente a casa onde vivemos, mas a casa onde crescemos. Voltar a descobrir os hot spots de Lisboa, dançar até às tantas em Alcântara, ser confundida com uma turista no Terreiro do Paço, passear na baia de Cascais e aventurar-se pelas praias da linha, onde é preciso levar casaco para entrar na água. Jantar em família, jantar com a malta da faculdade de quem se tem tanta saudade, jantar com malta que não se conhece de lado nenhum. Conhecer gente nova, conhecer a casa do amigo que foi viver com a namorada, conhecer o bebé da amiga que já teve um filho. Fazer macacadas com a irmã, usando os filtros do Snapchat (muito melhores que os do Instagram!).  Caminhar até Belém, não fazer fila para comprar os pastéis por ser da terra e já saber que há duas filas, embora os turistas se apinhem todos em apenas uma. Sentar-se à beira rio a apanhar sol e contemplar o Tejo a brilhar, a ponte e o Cristo, o Padrão e a Torre, os Jerónimos e a f…

O Inferno no paraíso

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Este post é uma espécie de texto de auto-ajuda, baseado no prazer que nós, humanos imorais, sentimos pela má sorte alheia e que nos faz extremamente felizes. Tenho uma amiga que andava a planificar as suas férias paradisíacas há um mês: Miami- Bahamas – Cuba. Dá inveja não dá? Mas não se preocupem, que isto melhora para o nosso lado. O dos que estamos em algum sítio não paradisíaco a consolar-nos com um interface binário. A coisa começou a correr mal logo em Miami, quando avisaram que o avião para as Bahamas estava duas horas atrasado. Das duas horas, lentamente, se fizeram quatro e das quatro umas quantas mais, porque afinal aquele avião não estava era capacitado para voar para lado nenhum. Chegou outro, mandaram entrar e depois de duas horas à espera dentro do avião, mandaram sair. Aquele avião também não podia partir, tinha problemas no quadro eléctrico (o que é sempre uma notícia reconfortante quando vamos apanhar um voo). Mas os senhores passageiros que não se preocupassem porque…